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Críticas

Crítica - Mogli: O Menino Lobo

 
Todo mundo sabe que a Disney é sem sombra de dúvidas, o estúdio mais sólido desse novo século. Basta olhar o calendário de lançamentos, já divulgados até 2019, sendo que existe uma grande possibilidade de novos filmes serem inseridos. Em 2016, a Disney tem lançado praticamente um filme novo quase todos os meses. Se antes, os estúdios não viam muita ameaça em seu modelo de negócios, desde 2010 eles estão rindo à toa. A Disney viu com a compra da Marvel e os filmes de super-heróis uma tendência muito alta e uma margem de lucro arrebatadora, mas quem disse que ela se limitou a ficar só nesse ramo. Sendo uma empresa megalomaníaca e destruidora, o universo deles acaba sempre se expandindo.

 
Além da Marvel, a Disney também cuida de suas tradicionais animações e também dos longas da Pixar. Fora aqueles filmes que são evidentes que foram produzidos para alguma temporada específica, seja ela inverno ou verão. Nesse meio, tivemos vários filmes que acabaram sendo recebidos de uma forma mista, tais como: Tomorrowland, John Carter, Tron: O Legado, O Cavaleiro Solitário, Príncipe da Pérsia, Piratas do Caribe, Oz: Mágico e Poderoso e nesse ano tivemos até mesmo, o ótimo, Horas Decisivas. E é nesse segmento, que entra as releituras de seus clássicos, começado por eles e que acabou sendo explorado também pela Universal, com o mediano Branca de Neve e O Caçador e também agora com sua sequência esse ano.


 
Essa “renovação” dos contos de fadas ou não, começou nessa década. O longa responsável por abrir esse universo foi Alice no País das Maravilhas, em 2010, que arrecadou mais de um bilhão de dólares ao redor do mundo e fez com que os empresários olhassem com outros olhos essa ideia. O filme acabou caindo no encanto do público e se tornou um verdadeiro fenômeno. Com o dinheiro vindo da renda dos filmes da Marvel, a Disney passou a investir muito mais em filmes desse segmento. Em 2014 surgiu Malévola, uma releitura sobre a icônica personagem de A Bela Adormecida e o resultado foi quase um bilhão nas bilheterias do mundo todo.

 
No ano passado, finalmente os estúdios resolveram investir em uma adaptação de seus contos de fadas e trouxeram: Cinderella. Um filme luxuoso, com figurinos que acabaram rendendo uma indicação ao Oscar e uma fotografia de encantar os olhos.Eis que agora, em 2016, chega a adaptação de Mogli – O Menino Lobo, que chega trazendo elementos novos e expandido um pouco da história que já conhecemos.


 
Mogli é encontrado por Baguera, uma pantera negra. Atingido pela simpatia da criança, ele o leva até uma alcateia de lobos onde passa a ser criado por Raksha, uma das lobas dominantes. Aceito como um igual entre os animais da selva, Mogli vê sua vida mudar totalmente após uma longa estiagem. Com apenas uma única fonte de água na selva, presas e predadores são forçados a declamarem trégua para que todos possam beber água em paz. Porém, Shere Khan, um tigre-de-bengala, o animal mais cruel, perverso e assassino da selva confronta o jovem humano. Por conta de um trauma do passado, Khan detesta humanos e não admite a permanência de Mogli na selva. Sem saída e jurado de morte, o garoto parte em uma jornada fantástica com Baguera na tentativa de chegar na vila dos homens.



A versão de 2016 desenvolvida a partir do roteiro escrito por Justin Marks, é um pouco mais inspirado na obra original, escrita por Rudyard Kipling, mas sem perder toda aquela estrutura que a Walt Disney trouxe no clássico de 1968. É um longa que apela mais para a ação, mas sem perder aquela essência da história com pequenas alterações. Um dos pontos mais fortes do roteiro é a maneira que Marks aprofunda a história de Mogli, com um peso dramático muito mais carregado, do que foi visto nas outras obras. Ele bebe diretamente da fonte da animação, conseguindo criar elementos interessantes, investindo pesado onde era necessária mais dedicação e elaborar uma releitura nova para seus personagens. O roteirista acerta ao explorar muito mais a alcateia de Mogli e apresentar uma boa relação entre o menino e sua “família”. Essa cena serve muito mais para mostra como funciona a hierarquia e as leis da alcateia.



Mark acaba revelando qual será o principal conflito de Mogli em muito pouco tempo. Aquela crise que o personagem tem na animação, é totalmente descartada para apresentar um desenvolvimento de descoberta e uma aceitação de Mogli como humano. A maneira que é escolhida para mostrar isso, é a manipulação de alguns instrumentos que somente Mogli sabe usar enquanto os animais não. Esse conflito acaba se tornando muito interessante como ele é desenvolvido ao longo do filme e principalmente depois da entrada de Balu, que se torna importante para o desenvolvimento de Mogli.



Diferente da animação, aqui Mogli é bastante trabalhado, enquanto que Balu e outros personagens acabam sendo explorado de uma maneira totalmente diferente. E  é exatamente nesse ponto que começa as falhas de Marks, que acaba mantendo a filosofia de vida de Balu mas acaba alterando a essência da relação entre ele e o menino. Se a amizade deles no longa de animação, é uma das mais lindas e sinceras que já conhecemos, nessa nova versão ela acaba soando como falsa e vazia, transformando a experiência do filme e também de Balu, ter aquela figura paternal que ele tinha em 1968.



O estranho é ver que o roteiro não modificou absolutamente nada em relação ao personagem Baguera, <!--[if gte mso 9]> o espírito de responsabilidade que ele tem ainda está ali, talvez a única coisa que realmente incomoda no roteiro em relação ao personagem é o fato dele querer agregar um conflito ou talvez transformar o personagem em algo mais complexo. 



Se na animação, Kaa e o Rei Louie  não tinha uma grande importância para a trama, aqui eles surgem como antagonistas ameaçadores e com uma dose de malícia muito alta. O discurso de Loui sobre a manipulação do fogo, é intocado, mas a maneira que é colocado em cena, rende um dos vários momentos marcantes da trama.



Mas se tivermos que escolher um personagem que toda vez que entra em cena, acaba roubando a atenção por seus momentos, é o Shere Khan. Aqui existe todo um motivo para o ódio dele contra Mogli assim criando uma linha de conflito assustadora. Porém, o roteiro de Marks acaba atrapalhando esse personagem, as escolhas feitas pelo roteiros para desenvolver a trama onde Khan vai a caça de Mogli toma um rumo totalmente incoerente e inesperado. Os diálogos do personagem são bem construídos mas talvez o desfecho do filme seja fraco por destruir boa parte do trabalho conquistado pelo protagonista, afinal o cliffhanger que acontece, lembra muito o que vimos em Mulan ou até mesmo em Tarzan.



Jon Favreau abraçou essa proposta audaciosa, de levar para as telas uma adaptação de uma fábula onde animais são os protagonistas ao lado de um único humano. O diretor consegue isso com maestria graças ao poder monstruoso da computação gráfica e se for para comparar com as outras readaptações, Mogli é simplesmente estupendo e impecável.



Talvez o único erro de Jon seja ter inserido as clássicas canções: Bare Necessities e I Wanna Be Like You. Elas definitivamente funcionam na animação mas no filme, o cenário é totalmente o contrário. Não existe um encaixe perfeito para elas e quando surgem fica realmente bizarro ver os personagens entoando as canções, afinal eles tem uma forma mais “real” e não animada.




Não tive a oportunidade de assistir ainda o filme na versão original mas a dublagem brasileira está muito boa, tirando apenas um dublador.  As vozes que merecem todo o destaque são as de Julia Lemmertz, que dá voz a Raksha e Thiago Lacerda, dando voz ao grande vilão do filme, Share Khan. 




A única dublagem que realmente me incomodou e que acabou prejudicando o personagem foi a do Marcos Palmeira, que dá voz ao Balu. Não existe um encaixe perfeito e a voz arrastada de Palmeira, acaba transformando o urso em um personagem lesado.




Enfim, Mogli – O Menino Lobo, é um marco para esse novo cinema que começa a surgir, pois ele deixa bem claro para onde os filmes vão começar a caminhar. Sustentados por efeitos especiais de tirar o folêgo e uma história que realmente funciona, temos talvez aqui uma das melhores readaptações até o momento da Disney. Certamente, os mais velhos vão sair impressionados pela qualidade enquanto que as crianças vão adorar embarcar nessa aventura.



Nota: 9.5/10

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